Marcadores

Localize-se

Mostrando postagens com marcador Romance. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Romance. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Lembranças...


O que deixarei para trás quando morrer? Olho o balançar dos galhos e penso... Lembranças, fotos, ações?
Mergulho num mar de lembranças que me fazem rir, chorar, ver-me como era antes... Para achar a lembrança certa para dar a uma pessoa querida, mas como achá-la?
Minha cabeça é como um castelo de areia, sem água ele desmorona, com água ele aguenta firme e reage a qualquer coisa.
Essa lembrança é a reação do meu castelo de areia, é o que me mantém vivo e me dá forças para tentar ter a mesma sensação daquela lembrança... Mas há pedras no caminho que deixam o meu castelo de areia mais vulneravel ao vento que o derrubará para sempre, e me fará morrer.
A MINHA LEMBRANÇA É O AMOR.


Dedicação a Thannyth Svolinski, a melhor poeta do mundo =D


Renan Jato Braga

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A confusão de um coração


Meu coração está confuso, como se estivesse maluco, sem saber oque fazer.
Tenho que escolher entre dois amores, mas sem deixar rancores, não consigo escolher entre duas amizades verdadeiras. Não consigo mais dar abraços sem pensar em amassos.
Vou à natureza de meus pensamentos, paro, olho e sorvo. Olhando para trás vejo as duas pessoas que amo, e embora esteja confuso, parece que a cada hora se passa em 1 minuto me deixando sem escolha. Morro por dentro enqunto o tempo passa, me perco em pensamentos, visões e lembranças. Acho que é melhor não ficar com ninguém e me fechar em meu mundo sombrio, com minhas lembranças felizes para fugir do presente, dessa escolha, da vida.

Renan Jato Braga

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Receita contra dor de amor


Sinta-se como se estivesse morrendo, com uma faca em seu peito. Pense como se tivesse sido quebrado em mil pedacinhos, pensando em seu perdido amor.
Chore lagrimas, chore sangue com seu coração quebrado por dias, meses, anos, e nunca irá sarar, a dor de perder quem ama é a mesma coisa que morrer, sua vida não faz mais sentido, "por que viver, qual o proposito?".
Abra seu coração, faça uma pessoa com sorte de ter você, acredite no amor, reviva com o poder de curar corações partidos.
Abra seu coração para viver novamente, tendo alguem para proteger para viver junto a você.



Essa prosa poética é da autoria de Renan Jato Braga, que conseguiu me encantar com linhas maravilhosas, com apenas 13 anos. Parabéns, piá, tu merece um cantinho aqui xD

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mil noites



É mais um dia de festa na corte. Um novo casal para ser torturado, uma nova fogueira esperando pela carne fresca. Não entendo como todos podem celebrar estes infortúnios, é tão... cruel. Dizem que ele é um vampiro, teremos a prova hoje. Que a seduziu com seus poderes, e que a carrega para esse mar de tempestades. Ela? Houve rumores de que era uma bruxa, capaz de controlar os elementos, capaz de ter o demônio incorporado em seu rosto angelical. Não posso saber a veracidade dos fatos, sou apenas um criado que se esquiva de pernas curiosas, e se esconde entre essas pilastras de cristal.
Já é o segundo dia que ela está ali. Os braços erguidos para que os pulsos possam ser segurados pelas algemas, pendurada pelo teto. Os pés, mal encostam o chão. Estão descalços, frios, tão frios que se tornam quase azuis. O inverno castiga nossos dias, tão forte que chega a congelar os dedos, já castigados, da pobre moça presa. Seus olhos, fechados, escondem as olheiras de intensas horas de tortura. Parece um anjo, um anjo pagando pelos pecados do mundo. A pele, tão clara, quase se confunde com o holofote direto em seu rosto doce. No corpo, esticado pelas correntes, peças em vermelho púrpura. Realeza. Pano gasto, sujo, rasgado na altura dos joelhos, preso à cintura por um cinto de pregos. A blusa perdeu uma das alças, e agora, frouxa, dança no corpo com o vento que passa entre o corpo cansado, encharcado de sangue e angustia.
- Tragam o vampiro!
Ordens. De quem? O rei está longe, distante o suficiente para não ouvir os gritos chorosos da filha, tão forte, que fora capaz de agüentar tantas atrocidades em apenas dois dias. Ele vem. A calça colada ao corpo, onde o rubro se confunde em tecido e sangue. A camisa, rasgada e suja, como a dela. Os olhos negros, tão negros como o carvão. Parecem famintos, olham ao redor e são capazes de devorar qualquer um que retribua o olhar. Parece feroz, um animal! Ele se debate, mas parece tão sem forças. Uma cruz grudada no peito, cravada na carne, cruz de prata, retirando suas resistências, levando-o ao fim. Os grilhões riscam o chão, fazendo com que o ruído seja um modo de abafar os gritos da dor a qual ele é apresentado. Dias sem comer. Ele continua a brigar, lutando pelo resto de vida que ainda tem, até que seus olhos encontram os dela.
Você pode ver sem precisar de lentes especiais. Os olhos deles se acalmam, em um verde claro. Os dela se abrem, mostrando o cinza quase branco que os clareiam. Um sorriso em cada lábio, uma lágrima em cada face. Ela reúne forças de todo corpo para se mexer. A vontade de tocá-lo, de dizer o quanto o ama. Ele vai ao chão com um golpe de estaca. Ainda dolorido, ergue a cabeça para lançar um beijo à sua amada. A retribuição vem com um sorriso tímido, além dos lábios cortados.
- Carrasco? Chicote.
O som do couro estalando no ar parece interromper aquele momento tão único dos dois. O segundo estalo vem quente nas costas frias dele. A carne se recupera com dificuldade, mas ele permanece firme. Novamente o couro dança, encontrando as costas do rapaz com crueldade. Ela grita, esperneia, sabe o quanto aquilo dói, sentiu na pele poucas horas antes. Ele parece pedir para que tenha calma, aguentará firme, como deve ser. Ela não pode aceitar, o ama, mais do que a vida, mais do que o ar que já é raridade em seus pulmões pressionados pelo frio. Os olhos dela ficam ainda mais claros, olhando para o teto. Sabe que daqui a pouco virá o dia, e ele não vai resistir. Seus lábios se mexem, como em uma oração. Palavras rápidas, sem sentido, é mesmo uma bruxa? O que é aquilo em suas costas? A carne está rasgando, sangue escorrendo por todo corpo, ele sente o cheiro, doce aroma que adora sentir. Está louco pelo sangue dela, está louco por ela! Asas! Estão nascendo asas nas costas da garota. Novamente gritos, ela grita tão alto quanto os urros que ele solta pela dor do corpo machucado. Asas tão lindas ela tem. Um anjo? Não! São asas negras como os olhos de corvo que ele tivera segundos antes. Penas reluzentes e majestosas. São tão grandes que podem cobri-la por inteiro. Ela se entrega. O corpo fica completamente pendurado pelas correntes. Não tem mais forças, suas asas esgotaram o que mantinha dentro de si.
- Guardião?
Flechas. Homens com armaduras prateadas, espadas, estacas e arcos prontos para atirar. Os chicotes se cessam, ele é jogado em um canto qualquer.
- Abra os olhos, meu amor, abra os olhos.
A voz dele sussurra como um sopro na direção da sua menina. Uma brisa tão poderosa que a faz obedecer. O rosto está manchado, gotas de sangue escorrem de olhos tão claros. Ele chora, suas lágrimas são como a chuva que bate em pedras de gelo no teto. A primeira flecha. O primeiro grito de dor que ela deixa escapar. Ele se agita, mais três flechas acertam suas asas, e uma outra perfura seu abdômen. Parem, parem, parem! E ninguém para. Parecem se divertir com aquela tortura. Dois homens vão até a garota, beijam seu rosto cansado para provocá-lo, enquanto arrancam suas penas com as espadas. Ela já não agüenta nem mais gritar de dor. Desmaia.
Ele se desespera. Reúne as forças de mil soldados e levanta. O corpo empurra os homens que vem em sua frente, e ele segue, cambaleando até o corpo dela.
- Reaja, reaja!
Sussurra da mesma maneira que antes, na esperança de que ela ouça. Ele tem poucos minutos, o sol já está vindo e sabe o que vão fazer. Ele precisa dela, ele precisa, ao menos, ver a luz dos seus olhos antes de morrer. Viveu tantos séculos naquela espera, que não pode deixar que escape por entre os dedos como água.
- Eu não... consigo.
Foram as únicas palavras que ela disse, de forma murmurada. Os homens se afastaram, deixaram os dois ali. Ele sentado, apoiando a cabeça nas pernas dela, e ela pendurada, sem forças para lhe acariciar.
Estão todos rindo. Malditos! Não podem ver o horror que eles passam. Não entendem que o maior sofrimento do qual estão passando, é ver a pessoa que amam sendo machucada e estar ali, amarrado, acorrentado, sem poder salvar.
Poucos minutos se passam, minutos de conforto talvez, até que novamente a voz ordena um trágico fim.
- SOL!
Um grito de guerra emanado pelos soldados eufóricos. O dia amanhecera, eliminariam aquele maldito vampiro de uma vez. Ele permanece quieto, aproveitando cada milésimo de segundo em que pode desfrutar do corpo dela. Sabe que nunca mais a verá. Ela abre os olhos, inchados, com dificuldade.
- Eu te amo.
Seus lábios moldam as palavras sem som. Ele as repete igualmente, sorrindo. É carregado para o centro, o peito inflamando, os olhos despejando cascatas de lágrimas. Um ruído. O teto está se abrindo, pouco a pouco. A luz do sol está adentrando o lugar com raios pequenos, mas que procuram o corpo do vampiro. São tão finos, que parecem agulhas perfurando sua carne. Ele não vai gritar, sabia desde o começo e não quer assustá-la. Fecha os olhos e se lembra dos momentos em que passaram juntos. Brincadeiras, brigas, risadas. Não importa o que aconteça, ele lembrar-se-á dela.
- Eu te amo.
Ela repete em voz alta agora. Ele a olha e, desconcentrado, sente o facho de luz que vem direto em seu corpo. Como um reflexo, se joga pra trás. Aquilo era a pior de todas as dores que já havia experimentado. Procura a sombra, quer escapar, quer tentar por mais uma vez estar ao lado do seu amor. Ela o olha fugindo da morte e seus olhos se acendem como brasa. Vermelho, tão vermelho que mal posso descrever. Um grito mais alto e ela é capaz de arrebentar as correntes que prendiam seus pulsos. Vai ao chão mas cai em pé. Que diabos está acontecendo? Seus dedos parecem cortar as correntes como se fossem papel, e as flechas não mais atingem seu corpo que antes vagava exausto. Ele sorri. Sabe o que está acontecendo e, ainda que não goste, sabe que o demônio interior dela os dará uma chance.
- Pela luz divina e pelas sombras demoníacas, eu os condeno a mim!
Sua voz parece como a de um trovão e seu sopro leva todos os guardiões e soldados ao chão com um único golpe. Seus olhos percorrem todos no local, como um predador pronto para aniquilar, mas ela nada faz, apenas protege ele com o próprio corpo, enquanto faz o dia ir embora de maneira mágica.
Tudo escuro e um vento sombrio corta o rosto daqueles que riram. Mil noites, é assim que seguirá, porque ela assim determinou e ele assim quis. Miguel nunca mais ousará a torturar nenhum casal, ele encontrou aqueles que queria e descobriu-se fraco perante a imensidão daquele amor. Nessa noite, uma nephalin e um vampiro voltarão para casa, eternos, como deve ser.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Amor Psicopata


Frank acordou com o corpo todo dolorido, sentia dificuldade em abrir seus olhos, ou em balançar a cabeça. Sentiu seu corpo pesado e molhado, tentou se mexer, mas não conseguiu, estava amarrado, estava sentado. Sentia correr um liquido grosso de sua boca, sentia o cheiro forte de incensos, podia ver as velas acesas naquele lugar frio, escuro, sujo, molhado, sombrio.
Ficou desnorteado, não sabia como tinha ido parar ali, gritou por socorro, mas seus lábios doíam, aquele liquido tinha gosto de sangue, deveria ser, seus olhos estavam pesados, sentia dores por todo seu corpo, e apenas o eco vazio de sua voz fraca passava pela sala. Foi então, que ouviu passos, aliviou-se, estava a salvo, alguma alma abençoada o tiraria daquele terrível pesadelo.

Sorriu, por mais que seus lábios doessem, sorriu ao ver a figura se aproximar em passos lentos de seu corpo aprisionado em uma cadeira de madeira velha. O homem, vestia uma manta negra, uma capa, com um capuz que impedia Frank de ver seu rosto, não importava, ele estava a salvo.

- Por favor, me tire daqui!

Foi tudo o que a voz fraca de Frank o permitiu dizer, e depois, apenas se ouvia o som de uma gargalhada demoníaca, provinda do homem da capa preta. Frank então, se assustou, tudo estava perdido, aquilo não era um pesadelo como na noite passada, não, era real, e muito, pois ele conseguia sentir as dores.
O homem, pegou uma das velas, e dirigiu-se de volta a Frank, rodeando, como um predador que analisa com cuidado sua presa, arrancando suspiros de medo de Frank. Aquele cheiro, o perfume do homem, não lhe era estranho, suas curvas escondidas pela capa, o balançar de sua cintura ao caminhar, seus gestos, era confuso demais, ele conhecia de algum lugar tudo aquilo. O homem, então, retirou sua capa, de costas a Frank, que olhou pasmo. Era Gerard, seu namorado, seu amor. Impossível não reconhecê-lo naquelas roupas pretas, seu andar sensual, aos olhos de Frank, sua pele extremamente clara, seus cabelos escuros. Respirou fundo, não acreditava, o que ele queria, o que ele pretendia? Sua mente não parava quieta, tinha que arrumar uma forma de sair dali.

Gerard, não falava nada, apenas olhava Frank com um olhar demoníaco, percebia em seus olhos uma loucura pouco comum em um relacionamento amoroso. Seu sorriso, era psicopata, seus dentes travando-se em uma linha entre o medo e a paixão de Frank, que pedia por ajuda, e apenas recebia tapas que machucavam ainda mais seu rosto já fraco e esmurrado. Sentiu mais sangue lhe invadir a face, escorrendo por sua roupa, que já estava manchada, permanecendo intacto nas mãos gélidas de Gerard. Aquele não era o seu Gerard, era um demônio, ou qualquer outra coisa que possa ter se apossado do seu amor. Custava a acreditar que aquilo tudo era real, e só o fazia quando sentia as cordas lhe cortando o pulso.
Olhe em meus olhos, Frank.
- Gerard, o que está acontecendo? É alguma brincadeira?
- Brincadeira? E você acha que eu brincaria com algo que eu realmente sinto?
- Então me diga, por favor, o que está acontecendo?
- Olhe nos meus olhos, e diga que me ama. Preciso ouvir isso antes da morte.”
- Morte? Que morte?
- Apenas me diga, Frank.
- Sim, eu te amo, Gerard.
- Era tudo o que eu precisava ouvir.
- O que fará comigo agora?
- Você não imagina? – Gerard voltou a abrir seu sorriso doentio, e pegou uma faca de seu bolso esquerdo, passando pelas ataduras das mãos e pernas do menor, que estava amarrado à cadeira.
- Você vai me matar, meu amor?
- Acho que não sou capaz de ser tão cruel, ainda.
- E o que quer antes disso?
- Você sabe. – Gerard, passou a alisar o membro do menor, por cima da calça.

O maior pegou na mão do menor, ajudando-o a levantar-se, e o beijou perdidamente, seria o último beijo de seu amor. Passou a acariciar-lhe a cintura, com desejo, com cuidado, com prazer. Frank, com medo, com dor, passou a permitir tais ações e liberdades do maior sobre seu corpo, e enquanto Gerard se perdia em seu êxtase, Frank aproveitou a oportunidade e pegou a faca que havia no bolso de Gerard, e em um ato rápido fincou-a nas costas do maior, que começou a olhá-lo com dor, deixando que lágrimas de sangue escorressem por sua face. Seu corpo estava ficando sem vida, seu coração havia sido brutalmente assassinado, não de uma forma convencional, mas da pior maneira possível.
Correu o máximo que pôde, sem direção, com dores, sem destino, queria apenas fugir daquele lugar que o causava arrepios. Achou uma estrada, e correu por ela, estava frio, estava escuro, o dia ainda estava amanhecendo, e seus ferimentos não o deixaram ir muito longe. Seus olhos morriam em lágrimas, afinal, ele amava Gerard apesar de tudo, e agora, ele estava morto, morto por suas mãos, que estavam imundas pelo sangue do mesmo.
Encontrou um taxista que passava pelo local, pediu que ele o levasse sem fazer perguntas até sua casa, pagou e ao entrar novamente, fechou todas as trancas que haviam de segurança. Tomou um banho rápido, fez uma mala com coisas necessárias para alguns dias, pegou todo dinheiro que guardava em casa, entrou no carro e sumiu.
Após alguns dias, ligou de uma cidade esquecida por Deus, deixando a casa a venda, e as a responsabilidades de seu trabalho com seu amigo. Não era muito difícil encontrar um trabalho novo na cidade, ele era jovem, bem formado, conseguiu fácil.
O dinheiro estava acabando, quando recebeu a noticia da venda da casa. Sentiu-se aliviado, e tentou respirar novamente.
Os dias se passaram, 3 meses mais precisamente, e Frank se encontrava feliz em sua pacata vidinha. Chegou em casa, crente que continuaria assim por muito tempo. Preparou um almoço delicioso, esperava por sua nova namorada, e ouviu as batidas na porta. Correu para atender, estava ansioso, e quando abriu a porta, seu terror voltou a tona.
Ele, com suas roupas pretas, sua pele clara e seus cabelos escuros, renovado, e com um sorriso mais maníaco do que o anterior.

- Sentiu minha falta?
- O que você quer?

Gerard levantou a mesma faca que Frank, inocentemente havia usado para tentá-lo matar, e mirou na garganta do menor.

- Olhe nos meus olhos, e diga que me ama. Preciso ouvir isso antes da sua morte.

As 12 badaladas


Primeira badalada:
Quando Ryan abriu os olhos, estava em um local estranho, diferente, que nunca havia estado. Fazia frio, muito frio, estava de noite, era um beco escuro, silencioso, cheio de poças de água anunciando que a chuva tinha acabado de passar. Procurou por alguém, mas nada viu além de uma cerração assombrosa. Correu para o meio da rua, e assim que piscou...

Segunda badalada:
Viu ele. Uma capa negra, uma cartola igualmente escura, correndo por aquelas ruelas vazias, fazendo o som de seus passos ecoarem no silêncio imposto pela madrugada. Piscou...

Terceira badalada:
O homem misterioso já estava ao alcance de suas mãos, seria fácil puxá-lo e ver quem era, e porque fugia. Foi o que fez, segurou firme sua capa, e virou seu rosto, coberto por uma máscara, e assim que a puxou, não resistiu e piscou...

Quarta badalada:
Tudo estava diferente, as ruas estavam claras, as pessoas caminhavam com seus trajes de época, as crianças brincavam nos cantos, as lojas abriam, o sol reinava em uma paz absurda. Nada condizia com a verdade, e novamente, lá estava o homem da capa. Não agüentou e piscou...

Quinta badalada:
Se via correndo na direção do misterioso homem, não sabia que caminho seguia, suas pernas estavam se mexendo sozinhas, ele apenas seguia o que elas faziam, e corria, corria desesperadamente esticando suas mãos para alcançar o homem. Estava chegando perto, quando piscou...

Sexta badalada:
Seus olhos encontraram um chão sujo, ao seu redor podia sentir o frio ultrapassando seu corpo ferido, a lama da rua sujando suas roupas e as sombras do homem correndo... Mais uma vez, piscou, era inevitável piscar a cada segundo.

Sétima badalada:
Já estava sem forças, cambaleando por ruelas tortas, vendo imagens distorcidas, vazios se misturando com o ar pesado, berros, sussurros, músicas fúnebres, e seu corpo estendido ao chão. Uma mão lhe tocou, mas ele piscou...

Oitava badalada:
Era o homem da capa, com sua máscara de ferro, e um punhal ardendo em sangue. A máscara não era tão grande a ponto de cobrir-lhe os lábios, que sorriam um sorriso maníaco, psicopata, entorpecido. Seus olhos, com lágrimas rasas tornaram a piscar...

Nona badalada:
Ryan já prendia o homem contra a parede, seus olhos exalavam ódio, e suas mãos exibiam uma força que nem mesmo ele sabia de onde vinha. Jogou seu corpo contra o dele, para aprisioná-lo ainda mais, estava pronto para tirar sua máscara quando ouviu o som de uma badalada do relógio e piscou...

Décima badalada:
Novamente ele corria atrás do homem mascarado, que fugia deixando sua capa voar com a brisa que assombrava as ruelas. Deixando rastros de sangue pelo local. Ryan corria o máximo que podia, se sentia fraco, mas não desistia. Lutou, mas não conseguiu evitar e piscou.

Décima primeira badalada:
O cenário havia mudado pouco, ele corria pelas esquinas de um cemitério. A densa neblina o assustava mais do que as lápides apodrecidas e os sons que emitiam os animais, quebrando o silêncio do seu medo. Já não se ouviam mais passos, não era possível ver nada, só ele sentado sobre um túmulo cheio de gravetos derrubados pela chuva. Ele queria piscar, mas não conseguia, e com seu devaneio o homem surgiu sobre seu corpo, como um demônio carnívoro, segurando seus pulsos firmemente com apenas uma mão, e a outra segurando um punhal de onde escorria o sangue que caía em gotas no seu rosto. E com uma das gotas, ele piscou...

Décima segunda badalada:
Seus olhos se abriam com medo, e já não havia ninguém lhe segurando, levantou em um impulso, e correu sem ter caminhos traçados, quando viu o mesmo homem às sombras de uma árvore com folhas secas. Se aproximou, e o homem não se mexia, e quanto mais se aproximava, mais claramente pode ver que ele segurava um coração sangrando em suas mãos. Tinha uma ferida aberta no peito. Ryan correu para ver quem ele era, e ao tirar sua máscara caiu pra trás, acordando em sua cama, com um peso sobre seu corpo.
Abriu os olhos e lá estava ele, o homem da capa, Brendon, seu namorado, com um punhal em suas mãos

- Não Brendon, não...

Apenas pode-se ouvir gritos desesperados de dor, e logo após ter matado seu namorado, Brendon segurando um coração sangrando em suas mãos.

- Seu coração será só meu!

Anjo das Sombras


Como você se sentiria ao saber que é apenas um anjo vagante neste mundo de sombras? Como você se olharia no espelho, ao perceber que ganhou asas negras, e sua missão é apenas proteger? O que você acharia de sua alma, se soubesse que você é apenas o reflexo invertido dela? Com que olhos você procuraria uma solução, se soubesse que você é a resposta para todas as perguntas?
Ela apenas aceitou seu destino, vestiu suas asas e voou em um rumo desconhecido. Ela não serve pra mais nada, além de uma amiga, além de uma proteção, aquele porto seguro onde você estará seguro de todos os males impostos pelo mundo. Ela caminha no escuro, se esconde nas sombras, a noite a guia até seu castelo, e ao velar teu sono ela implorará perdão divino por sentir algo proibido aos anjos, mas renunciará seus sentires, ignorará seus pesares, ela é apenas um anjo, é irrelevante o que sente, só importa o que seus protegidos estarão sentindo nesta noite. O frio acobertará seu coração machucado, mas suas forças serão renovadas ao nascer do sol. Novamente ela caminhará ao teu lado, mesmo que não a possas ver, cobrirá tua cabeça das loucuras, guiará teus olhos ao certo, segurará tua mão para que não caias. Ela é apenas um anjo, e já se conformou com isso.
Caminhe pelo paraiso, enquanto ela paga por seus pegados nos vales sombrios, sorria, enquanto ela chora suas lágrimas, corra, enquanto ela se cura das suas feridas...
Ao seu lado, não há nada além de um vazio, não há ninguém, mas no chão, existe sempre um par de pegadas a mais, preste atenção. Não grite sua solidão, ela nunca te deixará só, não se jogue nos lamentos, ela sempre estará ali pra te ajudar, mesmo que não possas ver o quão grande e forte é o amor que ela sente por ti.
Não és o único, agora já existe mais um, uma seria o certo, um protegido e uma protegida, aqueles agraciados com o sorriso que ela apresenta, aqueles de quem ela segura as mãos e encaminha para um bem-estar desproporcional.
A protegida pode perceber sua presença, ela se mostra real, ela está logo ali ao lado, mas seu protegido não vê nada além de um vazio, talvez uma brisa constante, ele não quer enxergar, mas isso não importa, ela estará ali para quando ele precisar.
Agora ela corre de mãos dadas com sua protegida, brinca, sorri, enfeita seu rosto com alegrias inventadas, e deixa seu coração sangrar sem medo ou culpa.
Mas ela não dorme, ainda não, vigia o sono do seu protegido, afaga seus cabelos durante a tempestade, e o faz dormir enquanto desenha mundos paralelos cheios de conforto para ele, que dorme tranquilo, sem saber que alguém o protege constantemente.
Ela é apenas um anjo, que caminha nas sombras pra se esconder, apenas um anjo, que vestiu suas asas e aceitou seu destino.

Coração Assassino


Te entrego meu coração, em corpo e alma, em chamas e ardente. Te entrego o coração sanguináreo, de quem ama. Te entrego o coração assassino, que escolhe o errado e faz sofrer. Te entrego em uma caixa de presente com um laço, este ordinário coração acelerado. Te entrego para sangrar em tuas mãos, este coração desamparado que mata de amor. Te entrego com um sorriso nos olhos, este coração dominador. Que seja teu o que pulsa a vida e mata em agonia. Que seja em carma em teus pensamentos o que alegra e faz morrer. Será teu, por toda a eternidade, o que nunca ousas-te perceber, e ao desânimo de tua vida, quem sabe irás ver, este coração acelerado que bate por você.
E ao me livrar desta angustia, te entrego este assassino e meu coração. Deitarei ao seu lado e segurarei sua mão. Fecharei os olhos, caminhando além, e no calor dos seus braços, enfim, morrerei.
Que seja vida, o que a morte me causou, que seja teu, aquilo que me matou!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jardim


Um vento frio abre a janela. O barulho do vidro a trás do seu mundo de sonhos. Ela abre os olhos com dificuldade, ainda é madrugada. O vento continua a tocar a janela, fazendo as cortinas dançarem, ela sabe que ele está vindo.
Ele nunca avisou quando chegaria, nunca deu notícias, mas ela sabe que estará ali em poucos minutos.
Um sorriso inunda sua face, o brilho em seus olhos azuis é mais visível sobre a luz da lua, do que quando estivera de dia. Se levanta, não tem muito tempo, não quer fazê-lo esperar.
Veste um roupão qualquer, está frio lá fora. Coloca um sapato qualquer para proteger os pés, a euforia é tanta que até se esquece de acender as luzes para enxergar o caminho da porta.
Ela esperou por este momento por tanto tempo, nem acredita, ele estará ali, ela sabe que sim.
Não será mais um sonho como em todas as outras noites, desta vez é real, ele disse que viria, disse que um dia a encontraria, e este dia chegou.
O fim da espera. As nuvens agitam-se no céu escuro, obra dele, ela sabe, ela o conhece melhor do que a si mesma.
Fecha a porta com cuidado, mais alguns passos e estará no jardim, assim como combinaram. Aquele balanço, ela se sentava todos os fins de tardes naquele balanço, esperando por uma mensagem dele, mas ele só vinha nas noites mais frias.
Novamente ela está sentada, as mãos se apertam para aquecer, mas no fundo é só ansiedade e esperança.
A última brisa fria tranpassa em seu corpo. Ele chegou.
Ela sente o perfume dele no ar, nunca sentira tamanha entorpecência com apenas um cheiro, o cheiro dele. Fecha os olhos, tenta ouvir os passos que ele dá sobre as folhas secas do jardim.
Um sussurro. Ela pode sentir a presença dele logo atrás de si, dizendo que chegou, então ela sorri. Ainda não abre os olhos, não, quer aproveitar desta magia por mais algum tempo.
Ele está na frente dela, segurando-lhe as mãos. Ele é tão frio, mas seu toque é capaz de acender fogueiras dentro do corpo dela...
Ela abre os olhos. Seus tão lindos olhos azuis a encontrar o brilho vermelho nos olhos dele. Seu sorriso, ela admira aqueles caninos desde que se encontraram pela primeira vez naquele sonho. Sua mão passeia pelo rosto dele, tão pálido.
Ele a beija, não aguenta mais esperar, tem esperado para encontrá-la desde que morrera, séculos de espera até que ela estivesse pronta.
O beijo da vida dela, a essência da morte dele.
Dois lábios, uma respiração, um único coração a pulsar o que faz o segundo coração continuar a manter seu dono vivo.
Eles estão na grama, abraçados, olhando as estrelas. Ele trás o vento, mas ela não sente, está segura nos braços dele, está feliz, está sorrindo.
A noite vai perdendo a força, é hora de partir, eles sabem. Mais um beijo, o primeiro raio de sol por pouco não toca o corpo dele, ela teme que isso aconteça.
Eles voam para o quarto dela, onde ele a repousa na cama.
Mais um sussurro, e ela responde que também o ama...
Então ele se vai...